domingo, 14 de abril de 2013

Caminhando com o sensor

Ao começar a usar o sensor da bomba de insulina com monitoramento contínuo, cometi muitos erros (e ainda cometo) por falta de experiência e bastante teimosia. Mas para fazer caminhadas utilizando o sensor, já que tive orientação médica (e a segui), consegui acertar desde o começo. Há 3 opções para evitar hipoglicemias durante o exercício:

1. Suspensão da administração da basal
O sensor, além de avisar sobre ocorrências de hipoglicemias e hiperglicemias, também pode nos ajudar a prevenir queda e elevação dos níveis de glicose quando conseguimos aprender a interpretar as setas indicativas de tendências.
No primeiro dia em que fui caminhar utilizando o sensor, fiz uma experiência para saber qual o efeito do exercício sobre a caminhada. Quando saí de casa, minha glicemia estava em 180 mg/dl. Depois de uma hora de caminhada, a glicemia estava em 80 mg/dl. Portanto, a caminhada queimou aproximadamente 100mg/dl, que estabeleci como meu parâmetro de segurança.
Assim, adotei o seguinte procedimento para caminhar, que vem dando certo: se antes de sair para caminhar a minha glicemia está igual ou abaixo de 100mg/dl, suspendo a aplicação da basal. Se durante a caminhada ela ultrapassa 100mg/dl e apresenta uma seta indicativa de tendência para cima, retomo a aplicação da basal. Se um tempo depois ela volta a ficar abaixo de 100mg/dl com uma seta indicativa de tendência para baixo, suspendo novamente a basal, e só retomo ao chegar em casa.
Além disso, sempre levo comigo uma garrafinha (270 ml) de refrigerante doce, pois às vezes a glicemia continua caindo, mesmo após a suspensão da basal, e preciso tomar um pouco (nem sempre a garrafa toda, em geral 1/3) para evitar a continuidade da queda. Acompanhando as setas de tendência durante a caminhada, vou adaptando a aplicação ou suspensão da basal, e a administração de doses de refrigerante.
Apesar de conseguir evitar incidentes, levo também minha carteira de diabética, do plano de saúde, do SUS, minha identidade, e um pouco de dinheiro para o caso do refrigerante não ser suficiente para fazer a glicemia subir.
Se a basal permanece suspensa durante toda a caminhada, verifico duas horas depois se a glicemia não subiu por conta da suspensão. Pelo que venho observando, ela não sobe depois. 
Ainda que não seja uma caminhada esportiva, esse procedimento também dá certo quando me desloco a pé por períodos superiores a 15 minutos, ou quando faço uma caminhada na praia.


2. Diminuição da basal de duas horas antes da caminhada
Se a caminhada é feita no mesmo horário, também é possível programar a basal de duas horas antes um pouco abaixo do normal, para que durante a caminhada haja menos insulina agindo. No meu caso, costumo fazer uma caminhada das 11h00 às 12h00. Assim, diminuí a dose basal das 09h00 para conseguir caminhar tranquila. Mas nos dias de chuva ou de frio não faço a caminhada. Assim, se o dia amanhece feio, sabendo que não caminharei às 11h00, elevo um pouco a basal das 09h00. Se no dia seguinte amanhece com sol, abaixo novamente para fazer a caminhada às 11h00. Também funciona.

3. Basal temporária
Lendo o manual da bomba, descobri a basal temporária, e uma das indicações é justamente para a prática de exercícios. Assim, testei essa opção para ver como ficava minha glicemia. No horário que fui caminhar, a minha basal normal era de 0,65u/h. Faria uma caminhada durante uma hora. Assim, programei uma basal temporária de 0,35u/h (quase metade do padrão em que estava) pelo período de 2 horas. Apesar de precisar tomar meia garrafinha de refrigerante depois de 30 minutos de caminhada, consegui evitar quedas posteriores à prática do exercício, e a glicemia não subiu depois. Minhas medidas fora: antes-103; durante-92;1 hora após-126; várias horas após-98. Portanto, pode ser também uma boa opção, embora eu ainda prefira as duas anteriores. Mas isso vai de cada um, e pode ser que outras pessoas se adaptem melhor com esse método.

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