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sábado, 23 de agosto de 2014

Webinário: O saber em Saúde e o cuidado de si

Em março deste ano estive na IV Mostra de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família, realizada pelo Ministério da Saúde em Brasília. Além de conhecer experiências exitosas do Sistema Único de Saúde, raramente mostradas na mídia tradicional, conheci usuários do sistema e profissionais que inventam formas de ampliar e melhorar o acesso dos cidadãos brasileiros ao direito à saúde.

Além de parceiros de militância por uma saúde pública humanizada, encontrei lá novos amigos, pessoas com quem o contato me trouxe muitos questionamentos e reflexões, e crescimento como pessoa.

Ricardo Teixeira, médico sanitarista e professor da USP, companheiro da Rede HumanizaSUS, me apresentou seu colega, também médico e professor da UNESP, Antonio Pithon Cyrino, e me falou sobre sua pesquisa com os saberes dos portadores de diabetes tipo II, que resultou no livro Entre a ciência e a experiência. Uma cartografia do autocuidado no diabetes. 

Sem conhecimento sobre o modelo educacional de Paulo Freire, segundo o qual não há saberes superiores ou mais importantes - há saberes diferentes, comecei a ler o livro do Antonio para tentar descobrir o que poderiam saber esses pacientes, sem me dar conta de que eu era também uma dessas pessoas.

Embora eu seja portadora de diabetes tipo 1, me identifiquei bastante com os relatos dos portadores de diabetes tipo 2, e comecei a perceber que havia desenvolvido saberes ao longo dos meus 28 anos de diabetes.

Aproveitando a proximidade com o autor do livro, e por incentivo de outra colega da Rede HumanizaSUS, Rejane Alves, comecei a compartilhar as minhas reflexões à medida que surgiam com a leitura paulatina.

Antonio se prontificou imediatamente para uma conversa online ou ao vivo, e Ricardo sugeriu que este bato-papo ocorresse na Rede HumanizaSUS. Assim, com apoio da equipe de editores da RHS e da Política Nacional de humanização, realizamos em 15.08.14 o Webinário "O saber em saúde e o cuidado de si: Tudo que você queria saber e não sabia que já sabia".


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Lei dos 60 dias passa a valer a partir do exame de diagnóstico de câncer

O Ministério da Saúde publicou esta semana portaria que resolve impasse trazido pela Lei dos 60 Dias (12.732/12), que dá ao paciente de câncer o direito de ser tratado em até 60 dias após o diagnóstico da doença. Com a nova publicação, o que vale é a data do diagnóstico da doença no exame (laudo patológico).

Pela regulamentação anterior, o prazo começava a valer apenas a partir da inclusão do diagnóstico no prontuário eletrônico, o que só acontece na primeira consulta depois que o resultado dos exames ficam prontos.

Para a mastologista e presidente voluntária da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, Maira Caleffi, a lei perdia o efeito com a antiga regulamentação, já que o prazo de 60 dias só começava a contar depois que o paciente conseguisse a consulta com o médico especialista, o que poderia levar meses para acontecer.

“A lei já trazia essa nova determinação, mas veio a regulamentação e trouxe uma variável, com isso ficava mais difícil ter a contagem dos 60 dias”, explicou ,

Segundo Maira, além disso, a regulamentação condicionava a contagem do prazo à inclusão do diagnóstico no Sistema de Informações do Câncer (Siscan), que ainda não funciona em todo o país. Lançado pelo Ministério da Saúde em outubro do ano passado para receber prontuários computadorizados enviados pelas secretarias de saúde, até o dia 22 de maio o sistema só tinha chegado a 1.546 municípios, cerca de 30% do total existente no Brasil.

De acordo com o Ministério da Saúde, nos 1.546 municípios que utilizam o sistema, 1.093 casos de câncer foram registrados nos últimos meses. Desses, 57% tiveram início do tratamento antes de 60 dias.

A regulamentação foi alterada através da Portaria 1.220/14, publicada no Diário Oficial da União no dia 04 de junho de 2014.
 
Fonte: EBC

domingo, 1 de junho de 2014

Imagens e Reflexos, Reflexos e Imagens - a saúde espelhada

Por Débora Aligieri e Raphael Henrique Travia

Textos publicados na Rede HumanizaSUS
 
“Um brinde aos loucos. Aos desajustados. Aos rebeldes. Aos criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status Quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.” - Jack Kerouac

Acredito que muitos Humanautas já viram este texto citado dentro de outro blog, aqui mesmo da RHS, dentro do Folha de Lírio do Raphael Henrique Travia: http://www.redehumanizasus.net/78980-um-brinde-aos-loucos

Mas não vou dissertar sobre saúde mental na minha postagem de hoje, pois sanidade mental é algo complexo de se falar em ano eleitoral. Geralmente eu escrevo sobre o diabetes na perspectiva de alguém que faz o tratamento da doença.

Há 28 anos sou diabética. Na mesma época do meu diagnóstico, meu pai foi diagnosticado como bipolar (em 1986 o termo que se usava era "depressivo"). Em função disso, tive dificuldades de convívio com ele, que se fez ausente em muitos momentos importantes da minha vida, e me familiarizou com manicômios. Mas antes de ser um bipolar, ele era meu pai, ao mesmo tempo herói e vilão, dependendo do momento pelo qual passávamos. O amor que sentia e sinto por ele me fez amar o mundo como é, imperfeito e cheio de possibilidades (ainda que não concretizadas). O tumultuado convívio com meu pai me ensinou a aceitar a anormalidade de tudo e de todos, sem fazer distinção de rótulos. Menos para mim.

Há 28 anos sou portadora de diabetes, mas já existia antes disso. Trabalhando e lutando em prol dos portadores da doença com mais intensidade no ano de 2013, acabei incorporando o diagnóstico à minha personalidade. Assim, de mãos dadas com a minha bioidentidade, me apresentava como diabética. Mas esta é uma definição que, por vezes, nos fecha em nichos de doença que, se por um lado nos confortam pela identificação de parceiros de experiências, por outro lado afastam o potencial de relacionamento mais múltiplo com outras pessoas - portadoras de diabetes ou não.

Antes de ir para a IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família, depositava no diabetes todo o valor do meu trabalho, mas chegando lá me descobri ativista em saúde. Conversando sobre o assunto com outros humanautas no CiberespaSUS, principalmente com Raphael, percebi que o foco das nossas ações podem se direcionar para a doença ou para a saúde. Mas direcionando as ações para a doença, fechamos o círculo dos relacionamentos no diagnóstico clínico; direcionando as ações para a saúde, trocamos experiências diversas de vida com pessoas que nos fazem crescer como seres humanos, e não apenas como portadores de doenças.

Há 37 anos eu nasci e meu pai me chamou Débora. Não somos perfeitos eu e ele, somos humanos. Para ele fiz esse poema, e também para ele, meu vilão e meu herói indefinidamente, dedico meu trabalho, para a melhoria da saúde de todos nós, portadores de doenças crônicas ou não:

Cartão de aniversario

meu primeiro homem era vagabundo
para o trabalho e para o dinheiro
mas laborioso para o amor
faltou muitos dias no serviço
acumulou dívidas
mas amou-me o suficiente
para reconhecê-lo meu pai




Não digas: "o mundo é belo".
Quando foi que viste o mundo?
Não digas: "o amor é triste".
Que é que tu conheces do amor ?
Não digas: "a vida é rápida".
Como foi que mediste a vida ?
Não digas: "eu sofro".
Que é que dentro de ti és tu?
Que foi que te ensinaram
Que era sofrer?
(Cecília Meireles, Cântico VIII)

Acredito que muitos Humanautas já viram este poema citado dentro de outro Blog, aqui mesmo da RHS, querem adivinhar? Sim foi dentro do Diabetes e Democracia da minha amiga Debora Aligieri http://www.redehumanizasus.net/80968-diabetes-e-democracia.
Mas calma, calma não vou dissertar sobre Diabetes na minha postagem de hoje, e Democracia é algo comp lexo de se falar em ano eleitoral. Geralmente vocês estão acostumados a ler o que eu escrevo sobre o CAPS e a Saúde Mental na perspectiva de alguém que fez tratamento lá, ou seja um EX-CAPS.
Sei que já contei minha história outras vezes, e que inclusive dei entrevistas de relatos que já estiveram na nossa fila de votação e na internet ainda estão (EN) CENA http://www.redehumanizasus.net/64880-transtorno-bipolar-e-possivel-vencer
A essa altura quem costuma ler minhas postagens sabe que em algum momento da minha vida o transtorno bipolar apareceu definitivamente... foi no verão de 2010, no feriado de Páscoa.
Quando iniciei o tratamento no CAPS III de Joinville, a peça de teatro que estava sendo ensaiada era a primeira da trilogia “indignAÇÃO” onde nós pessoas com transtornos mentais gritamos o quanto somos ainda tratados como mortos pela sociedade. Cada personagem usava uma plaquinha que servia de rótulo, no fim da peça a plaquinha era retirada e jogada ao chão...desfeito o rótulo cada pessoa dizia seu próprio nome.
Mas eu adorava a minha plaquinha, eu adorava meu rótulo BIPOLAR, pois ser Bipolar justificava algumas ações e reações que eu tive durante a vida, era como se aquilo fosse algo fora de mim, que chegava para despertar o vilão da história.
Minha psicóloga até falava “ engraçado você gostar tanto desse rótulo, a maioria das pessoas detesta”
Durante a crise de 2010 a minha pressão arterial subia e descia de forma tão maluca como numa Montanha-Russa, algumas vezes estava 18x12, 23x13 e 7x9, e fisicamente eu não sentia nada.
A montanha Russa me faz lembrar o desenho “Caverna do Dragão”, esse desenho é baseado num famoso RPG, onde um grupo de jovens entra numa montanha Russa e acaba sendo teletransportado para um mundo onde precisa enfrentar vários monstros e perigos para ser merecedor de tentar voltar para casa, o episódio final nunca foi produzido, mas duas versões foram amplamente divulgadas pela internet:
No final não oficial você descobre que na verdade a montanha russa quebrou e aquelas crianças foram mandadas para o inferno, pois não foram “boazinhas” em sua vida terrena.
E que eram constantemente iludidas pelo “Mestre dos Magos” velho de aparência boa que os obrigava a resolver todos os problemas daquele reino, mas na hora em que eles poderiam voltar ao seu lar aparecia sempre o “Vingador” jovem, rebelde e maligno que os impedia.
E no final das contas o Mestre dos Magos e o Vingador , o bem e o mal eram dois lados da mesma pessoa!
Acredito que essa foi minha primeira vivência no CAPS tão ,tão distante de Joinville.
Aquela “bondosa” equipe multiprofissional, tentava fazer com que eu seguisse o tratamento no CAPS... eu jovem e rebelde não tomava os remédios direito e ainda questionava algumas coisas de uma forma vamos dizer “incisiva demais”... no fim das contas percebi que tinha ido voluntariamente ao manicômio, o inferno, essa era a lógica “Antimanicomial” daquele Reino.
No final oficial da Caverna do Dragão, o grupo de jovens é dividido, metade continua a obedecer o Mestre dos magos e os outros são guiados pelo Vingador, o desafio final é conseguir a chave que abre a porta de saída daquele “lugarzinho”. Na cena final o grupo de jovens resolve suas divergências e decidem abrir o portal ao invés de jogar a chave no abismo, ao que uma luz resplandece sobre o Vingador que se regenera e faz as pazes com seu pai O Mestre dos Magos. Em agradecimento aos jovens o Mestre dos Magos abre um portal que poderá os levar de volta ao seu mundo. Dizendo “Vocês estão livres e podem ir para casa, mas se quiserem também podem ficar, temos muitas coisas a resolver ainda e infinitas aventuras para viver”
Essa foi minha segunda vivência em CAPS, agora sim no CAPS III de Joinville.
Depois de muitos momentos felizes e alguns conflitos também, descobri realmente quem eu era e o remédio certo que precisava tomar, além do remédio consegui estudar, trabalhar e ser feliz tendo preservado o meu direito de delirar... Sempre agradeço e sempre vou agradecer mesmo que ela não goste a Terapeuta Ocupacional Ana Lúcia Alves Urbanski, que acreditou em mim em momentos que os outros não queriam acreditar... Até que o delírio se tornou realidade e ano passado eu voltei, voltei ao trabalho e a vida que todo mundo julga ser normal.
No começo deste ano tive a oportunidade de encontrar humanautas fantásticos, cada um que estava ali poderia ser um super-herói da utopia real que é fazer o SUS dar certo! E no meu caso deu certo e continua dando certo, por tempo indeterminado, não quero ir para o outro lado da força...não vou por enquanto.
Respondendo ao questionamento central do Cântico de Cecília Meireles “Que é que dentro de ti, és tu?
Eu já existia antes do delírio e também existo depois.
Dentro de mim existe o espectro bipolar, mas ele é uma pequena parte de mim... não sou apenas isso, há também uma vontade enorme de fazer algo fantástico, ficar famoso... há também um rapazinho talvez meio chato e que insiste em não deixar-se engravatar, existe ainda alguém que gosta de cumprir desafios um deles foi este de escrever um post dialogando com a minha amiga Debora Aligieri... espero que vocês votem e comentem bastante que assim a gente vai logo para a página principal da RedeHumanizaSUS.rsrsrs.|
Mas o melhor é que existe dentro de mim um lugar comum onde nenhuma deficiência pode me marcar, pois como seres humanos somos iguais...
E como ser humano, sou chamado pelo nome que minha mãe escolheu
Apenas e simplesmente
Raphael.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Para a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, café expresso é mais importante que a constância da assistência farmacêutica do SUS

A literalidade das imagens e dos termos do contrato de prestação de serviço de fornecimento de bebidas quentes firmado pela Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo dispensa maiores esclarecimentos.

Assim, considerando que desde dezembro de 2013 os portadores de diabetes encontram problemas para receber seus insumos, não havendo qualquer indício de solução por parte da SES-SP, parece que o abastecimento de café expresso é mais importante que fornecimento de medicamentos aos usuários do SUS.

Conforme contrato da SES-SP com a empresa Brasvending Comercial S.A.(fotos):

"8.3 A Prestadora de Serviços deve responsabilizar-se pela manutenção plena das máquinas, mantendo Assistência Técnica Especializada para o perfeito funcionamento de todas as funções do sistema. A Prestadora de Serviços deve atender aos chamados técnicos, no máximo em 1 (uma) hora, para que não haja interrupção do fornecimento.

O conserto do equipamento deverá ser realizado no próprio local. Não sendo possível, o equipamento deverá ser retirado e imediatamente substituído.

8.5. Cabe a Prestadora de Serviços a conservação técnica das máquinas objeto do contrato, devendo reparar ou substituir por sua conta as partes afetadas pelo uso normal.

Se constatada pela Prestadora de Serviços a impossibilidade das máquinas serem mantidas em perfeitas condições de funcionamento, essas serão substituídas, no prazo máximo de 05 (cinco) dias corridos.

8.6.1 Na ocorrência desta hipótese a Prestadora de Serviços obriga-se a instalar de imediato, uma máquina que tenha condição mínima de prestar os mesmos serviços da máquina danificada, durante a realização da troca técnica.

8.7 A Prestadora de Serviço deverá mensalmente atestar através do responsável técnico a quantidade e qualidade dos produtos fornecidos."

Este é um contrato para 13 máquinas, uma em cada andar da sede da Secretaria do Estado da Saúde, com investimento de quase meio milhão de reais por ano.
Se a SES-SP não pode ficar uma hora sem café expresso (cláusula 8.3), por que nós portadores de diabetes podemos ficar um mês, ou até mais, sem insumos? Então o café expresso da SES-SP é mais importante que os insumos que garantem a nossa sobrevivência digna?

O Brasil cresceu muito e reduziu seus índices de pobreza e de analfabetismo, e com o SUS o brasileiro ganhou quase 10 anos a mais de vida. Mas temos muito o que fazer ainda pra melhorar, inclusive pedir ao Ministério da Saúde que fiscalize melhor o cumprimento das obrigações dos Estados com a saúde. 

E nós, cidadãos, somos corresponsáveis pela construção de um país mais justo, e devemos também fiscalizar o atendimento aos nossos direitos. Nossa briga é pra tornar o Brasil melhor, e não pra desmerecer nosso país. Estamos aqui pra brigar pelo nosso direito universal à saúde. 

















quarta-feira, 21 de maio de 2014

WEBNÁRIO com Chico Whitaker - "Fóruns: A produção de encontros e a construção de redes"

Se queremos propor uma Política Pública de Saúde construída de forma participativa e co-gerida, é quase impossível nos desviarmos do tema da produção de redes e mobilização de Fóruns.

Os Fóruns tem se constituído como alternativa aos modos hegemônicos de construção de políticas e ganhado cada vez mais espaço nas Políticas de Saúde. Mas você sabe o que é um fórum? Como construir um fórum de pessoas que se encontrem em torno de um problema comum? Como os fóruns podem intervir na construção do SUS?

Para debater questões como essa, a Política Nacional de Humanização realizará um Webnário com Chico Whitaker e convidados, que será transmitido gratuitamente pela sala de eventos da Rede HumanizaSUS!

Whitaker vem nos presentear com uma proposta de radicalização dos Fóruns como "espaços abertos de encontro horizontal – sem portanto dirigentes, porta-vozes ou hierarquizações – de movimentos e organizações da sociedade civil que visam, autonomamente em relação a partidos e governos, a superação do neoliberalismo".

Quando?

Dia 24/05, sábado às 16h - 18h

Como participar?

O Webnário será uma roda de conversa transmitida on line.

Para participar, basta acessar a sala de eventos da Rede humanizaSUS no site: www.redehumanizasus.net ou clicar diretamente no link: http://www.redehumanizasus.net/13180-sala-de-eventos-rhs

No horário marcado vai acontecer uma roda de conversa e você poderá interagir com os demais humanautas e convidados pelo chat na RHS!

Mais sobre nosso debatedor:

Chico Whitaker é um arquiteto, político e ativista social brasileiro. Inspirado na Teologia da Libertação é um dos organizadores do Fórum Social Mundial e um dos idealizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Em 2006, ele recebeu o Prêmio Nobel Alternativo por sua luta a favor da justiça social. Saiba mais em: http://chicowhitaker.net/

Convidados:

- Ricardo Teixeira - Coordenador da Rede humanizaSUS/ prof da FM/USP

- Stella Maris Chebli - Coordenadora da frente de Mobilização Social da PNH

- Rodrigo Presotto - Participante do Fórum estadual da Luta antimanicomial de São Paulo

- Maria Cristina Silveira Prado Martins (Iyálorixa Cristina d'Osun) - RENAFRO (Rede Nacional de religiões afro-brasileiras e saúde)

Organização: Política Nacional de humanização- Ministério da Saúde (Frente de Mobilização Social, Rede humanizaSUS e Núcleo Técnico) 
 
 

domingo, 18 de maio de 2014

Pronto Atendimentos de Campinas em Luta - carta à Secretaria Municipal da Saúde

Trabalhadores dos quatro Pronto Atendimentos (PA´s) de Campinas, movimentos e controle social, elaboraram uma carta após falta do Secretário Municipal de Saúde em reunião marcada com os trabalhadores do SUS para discutir os problemas relacionados às condições de trabalho e ao atendimento dos usuários (incluindo falta de materiais).

A ausência do Secretário Municipal de Campinas me fez lembrar da Audiência Pública sobre Saúde do STF, em 2009. Naquela ocasião, o então Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foi convidado para o primeiro dia de debates e também não compareceu, apenas enviou um representante, mostrando que a judicialização da saúde não era um assunto importante a ponto de merecer a sua presença na abertura do evento. Seus sucessores, entretanto, sempre tocam no assunto como uma das grandes mazelas da saúde pública (vide discurso de posse do atual Ministro da Saúde Arthur Chioro).

José Gomes Temporão, que até no Programa do Jô Soares compareceu para dar entrevista, só esteve presente no último dia da Audiência Pública sobre saúde do STF, discutindo a assistência farmacêutica do SUS, que neste ano de 2014 encontra sérios problemas de desabastecimento no setor de diabetes em todo o Brasil.

Nesse caso, igualmente, o Secretário Municipal de Campinas parece achar pouco relevante as condições de trabalho dos funcionários do SUS, e a qualidade de atendimento dos usuários. Temos mesmo que nos manifestar juntos contra isso. Saúde pública de qualidade é um pressuposto do exercício democrático dos nossos direitos. Sem saúde, ninguém luta ou colabora por um Brasil melhor. Força aos companheiros do SUS Campinas!

Segue texto do documento protocolado na Secretaria Municipal de Saúde de Campinas:

MOVIMENTO PA´s EM LUTA!!!
Campinas, 16 de Maio de 2014.

Ilmo. Sr. Cármino Antonio de Souza
DD. Secretario Municipal de Saúde

No dia de hoje, no Pronto Atendimento do Centro, ás 08 horas, realizamos uma reunião com a presença de trabalhadores de todos os Prontos Atendimentos e das mais diversas classes profissionais que prestam serviços nestas unidades, além de representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Campinas, do Conselho Local de Saúde do PA Centro, do Conselho Municipal de Saúde, do Fórum Popular de Saúde, do Distrito Leste, para a qual V.Sa. havia sido convidado e firmado compromisso de presença. Lamentavelmente V.Sa. não compareceu enviando assessores para representá-lo.

Apesar de vossa ausência a reunião aconteceu e várias pessoas tiveram a oportunidade de relatar os graves problemas que vem enfrentando no cotidiano de sua atuação como profissionais da saúde pública de Campinas. Problemas que vão desde a falta de quadro funcional adequado às demandas da população, insumos essenciais a um atendimento que não coloque em risco a vida de pacientes, manutenção predial e de equipamentos, até a garantia da integridade física e psicológica dos servidores e usuários desses serviços.

A presença de vossos assessores, sem qualquer poder de decisão, causou enorme frustração e indignação nos que estavam presentes, tendo em vista vosso compromisso em comparecer dada a gravidade dos problemas apontados. Esta situação já vem sendo anunciada pelo Conselho Municipal de Saúde, bem como pelos Conselhos Distritais e Locais e pelos próprios trabalhadores da saúde.

A reunião foi produtiva pela discussão realizada, foi composta uma comissão que subscreve este documento, apresentando a V.Sa. uma síntese de nossas reivindicações:
 
1- Imediata decretação do estado de emergência no município de Campinas, que viabilize a contratação emergencial pública de trabalhadores em todas as áreas que compõem o serviço de saúde, prioritariamente nos serviços de urgência e emergência;
 
2- Adequação do espaço físico das unidades de saúde, readequação dos leitos de isolamento, manutenção das autoclaves e instalação de sistema de gases essenciais para o suporte de vida (oxigênio, vácuo e ar comprimido);
 
3- Garantia total de segurança para o exercício profissional de todas as categorias, 
incluindo o controle de pragas e animais peçonhentos;
 
4- Aquisição imediata, com base na decretação do estado de emergência, de insumos, tais como: esfigmomanômetros, oxímetros, monitores cardíacos, termômetros, estetoscópios, enxoval ( lençóis, cobertores, fronhas, toalhas, camisolas), cadeiras de rodas e banho, poltronas para acompanhantes , ecodoppler fetal, máscara de venturi, Equipamentos de Proteção Individual, camas hospitalares e todos os demais mobiliários que compõem o ambiente hospitalar e medicamentos padronizados que estão em falta;
 
5- Adequação das salas de Radiologia com a radioproteção, dosimetria da sala, supervisor radiológico, exaustor adequado localizado na câmara escura para eliminação de gases dos químicos usados na revelação dos filmes radiográficos, instalação apropriada e adequada para a processadora de filmes, com a finalidade do alvará de funcionamento.

Estas reivindicações não admitem qualquer delonga por esta administração, de forma que exigimos uma resposta imediata até as 12 horas do dia 19 de maio de 2014, com um cronograma detalhado em relação a todas as providências apontadas.

Na ausência de uma resposta satisfatória, os trabalhadores estarão no direito de intensificar a mobilização, inclusive com a utilização de todos os instrumentos legais cabíveis para constranger a administração municipal a cumprir o seu dever.

Desde já advertimos que todos estes encaminhamentos, construídos com a participação do controle social, estão sendo compartilhados em diálogo com a população. 
 
 
Agradeço a amiga Elisabete Zuza por mostrar-me a carta e tornar-me ciente do ocorrido em Campinas.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

4º Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais

Nos dias 16, 17 e 18 de maio de 2014, acontecerá em São Paulo o 4º Encontro Nacional de Blogueiros, para o qual são aguardados 500 ativistas digitais de todo o país (eu sou uma dessas pessoas). O evento acontece no Hotel Braston (Rua Martins Fontes, 330 - Centro).

Na sexta-feira, 16 de maio, o Encontro Nacional promoverá um Seminário Internacional que se propõe a dar continuidade aos debates do 1º Encontro Mundial de Blogueiros realizado em outubro de 2011 em Foz do Iguaçu (PR). Seis conferencistas internacionais discutirão mídia, poder e América Latina, seguido de um debate sobre a luta pela democratização da mídia no Brasil. O Ex-Presidente Lula confirmou presença nesse dia para participar dos debates.

No sábado, 17 de maio, a proposta é retomar a experiência do primeiro encontro nacional realizado em 2010 por meio das desconferêncas. As atividades iniciam com uma discussão sobre a juventude e a força das novas mídias e será seguido das desconferências, em que serão formados grupos de debates. Nesses grupos, o debate será iniciado por ativistas convidados e todos os participantes terão vez e voz para relatar suas experiências e participar dos debates. Após as desconferências, os grupos voltam a se reunir para discutir a mídia e as eleições de 2014 e, na sequência, haverá uma festa de confraternização. O destaque desse dia é Luiza Erundina.

No domingo, 18 de maio, os debates serão sobre a Carta de São Paulo e ações do movimento de blogueir@s e ativistas digitais.

As inscrições ainda estão abertas na página blogprog.com.br/inscricoes.

Data: 16, 17 e 18 de maio de 2014
Local: Hotel Braston (Rua Martins Fontes, 330 - Centro - São Paulo/SP)

Programação

*A confirmar

16 de maio, sexta-feira

09 horas — Abertura

10 horas — Debate: Mídia, poder e contrapoder
Ignácio Ramonet – fundador do jornal Le Monde Diplomatique (França);
Pascual Serrano – criador do sítio Rebelion (Espanha);
Andrés Conteris – Integrante do movimento Democracy Now (Estados Unidos);
Dênis de Moraes – professor da Universidade Federal Fluminense.

14 horas — A mídia na América Latina
Osvaldo Leon – integrante da Agência Latina Americana de Informação (Alai-Equador)
Damian Loreti – professor (Argentina)*;
Iroel Sánchez – blogueiro cubano;
Emir Sader – sociólogo e cientista político.

17 horas — A luta pela democratização da mídia no Brasil
Luiza Erundina – coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão (Frentecom)*;
Rosane Bertoti – coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC);
Laurindo Lalo Leal Filho – professor da USP e ex-ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC);
Luciana Santos - vice-presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e deputada federal por Pernambuco.

17 de maio, sábado

9 horas — A juventude e a força das novas mídias
Pablo Capilé – Fora do Eixo;
Renato Rovai – revista Fórum;
Beá Tibiriçá – Coletivo Digital

14 horas — Troca de experiências sobre a blogosfera e o ciberativismo;

19 horas — Festa de confraternização.

18 de maio, domingo

10 horas — Plano de ação do movimento nacional de blogueir@s;
Definição do local do V Encontro Nacional, em 2016;
Aprovação da Carta de São Paulo;
Eleição da nova comissão nacional organizadora.

Convidados para iniciar os debates das desconferências:

Marco Aurélio Weissheimer (RS);
Esmael Morais (PR);
Zé de Abreu (RJ)*;
Tarso Cabral (PR);
Leonardo Sakamoto (SP);
Cynara Menezes (DF);
Miguel do Rosário (RJ);
Gilberto Maringoni (SP);
Fernando Brito (RJ)*;
Fábio Malini (ES);
Lola Aronovich (CE);
Daniel Pearl (CE);
Altino Machado (AC);
Diógenes "Jimmy" Brandão (PA);
Altino Machado (AC);
Marcos Vinicius (GO)*;
Jean Wyllys (RJ)*;
Túlio Viana (MG);
Lucio Flávio Pinto (PA);
Claudio Nunes (SE)*;
Vito Giannotti (RJ);
Oldack Miranda (BA)*;
Douglas Belchior (SP);
Edmilson Costa (SP);
Daniel Menezes (RN)*;
Deodato Ramalho (CE);
Beto Mafra (MG);
Cido Araujo (SP);
Bemvindo Siqueira (RJ)