segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Coquetel contra AIDS elimina infecção em criança

Por Paulo Aligieri 
médico pediatra, Cremesp 11.597-SP
assistente médico da Fundação para o Remédio Popular – FURP.


Ainda não existem critérios confiáveis para definir cura

Um bebê que nasceu de mãe portadora do vírus HIV-1 pode ter sido curado com a associação de drogas contra AIDS. Isto aconteceu no Mississippi e foi divulgado ao mundo científico pelos profissionais da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, em recente edição da conhecida e respeitada revista New England Journal of Medicine de 24 de outubro deste ano(1). Ainda é muito cedo para usar a palavra “cura” e o episódio desperta muitas indagações.

A criança nasceu através de parto normal espontâneo após gestação de 35 semanas em mulher que não tinha feito pré natal. Durante o parto, realizou-se o teste rápido para HIV na mãe e o resultado foi positivo. O trabalho de parto ocorreu antes do inicio do tratamento com a associação de drogas contra o HIV. A infecção materna pelo vírus HIV-1 foi confirmada pelo teste de Western blot. A contagem viral revelou-se mais alta no sangue da criança do que da mãe. A criança começou a medicação antiviral desde as 30 horas de vida. A medicação foi mantida até a época em que a menor tinha 18 meses de idade, quando a mãe deixou de comparecer ao serviço de saúde. Ela voltou ao atendimento quando a menor tinha 23 meses. Nesta ocasião e até os 30 meses de idade não se detectou nenhuma cópia de vírus HIV em seu sangue, como também os demais exames se revelaram normais.

Ao contrário do que ocorre com o seguimento de pacientes com câncer, ainda não existem critérios confiáveis para se dizer que uma pessoa ficou curada desta infecção viral. Na oncologia, geralmente se usa o total de 5 anos sem manifestações da doença tumoral. Na questão do HIV, existe o caso de um morador de Berlim, na Alemanha, no qual o paciente tinha HIV e leucemia e que se viu livre destas duas condições após quimioterapia e transplante de células tronco obtidas do sangue de doador compatível(2).


Referências:

1) Persaud D, Gay H, Ziemniak C, Chen YH, Piatak M et al. Absence of Detectable HIV-1 Viremia after Treatment Cessation in an Infant. N Engl J Med 2013; (Oct 24); 1056. Disponível em <http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1302976#t=article>. Acesso 3m 27/10/2013.

2) Hütter G, Nowak D, Mossner M, Ganepola S, et al. Long-Term Control of HIV by CCR5 Delta32/Delta32 Stem Cell Transplantation. N Engl J Med 2009;360:692-698. Disponível em <http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa0802905> . Acesso em 27/10/2013.

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